Aprendo no Teatro

Depois de conviver com 18 jovens, no Candeal, para despertar-lhes o teatro e suas próprias necessidades de vida, o diretor Walter Rozadilla decide extrair desta experiência uma obra com conteúdo marcante: a historia de Canudos.

Traçando paralelos entre a luta pela sobrevivência e a realidade cotidiana de muitos adolescentes, o espetáculo Poesia e Guerra, além dos 18 atores em cena, contará com música ao vivo e será dirigido aos alunos de escolas públicas. Serão mais de trinta apresentações, onde professores e estudantes poderão se aproximar do teatro, estimulando novos olhares sobre a arte e a educação, vendo como estes instrumentos podem ser bem aplicados para o resgate e fortalecimento histórico-social.

É uma pesquisa que resiste há quase dois anos e que agora encontra seu caminho de expressão. Espera-se que a partir dela, estes jovens acreditem mais em seus potenciais e se aproximem do cenário teatral baiano, mostrando porque devemos apoiar a formação de novos artistas e cidadãos.

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O trabalho Poesia e Guerra teve início em 2002, com o primeiro “grito” do GAUPA “Grupo de Adolescentes Unidos Pelas Artes”, do Candeal, que desejava falar sobre um mundo mais igualitário, menos violento, sem discriminação social ou marginalização, vinculado aos trabalhos da Ong Pracatum.

Na perspectiva de promover a inclusão social, resgatando valores como ética, solidariedade, convívio social, auto-estima, bem como propiciar o acesso destes jovens às diferentes manifestações culturais, começa-se um estudo sobre a cultura nordestina e sobre os exercícios populares, que atraíram seus integrantes, fazendo-os conhecer um universo histórico, até então, pouco explorado em seus contextos: a Guerra de Canudos.

Ao revisar esse momento brasileiro que, para eles, confrontava violência e injustiça social ao tempo em que refletia a intolerância como geradora da falta de paz entre os homens, o grupo percebeu que o resgate histórico da cultura e organização político-social nordestina os estimulava a pensar em suas próprias memórias e projetos de vida.

Os resultados do trabalho, a o longo do ano 2002, com encontros agendados inicialmente três vezes por semana para a prática de 3 horas diárias de atividade, logo depois 4 horas por dia, proporcionaram além da montagem e ensaios da peça, um intenso desejo de contribuir socialmente em cada jovem do grupo. O GAUPA busca agora manter sua pesquisa teatral e educacional, estendendo-a para outros adolescentes que desejem despertar novos questionamentos através da arte.

O teatro é um processo de formação do adolescente e cumpre não só sua função integradora, como também dá oportunidade para que ele se aproprie crítica e construtivamente dos conteúdos sociais e culturais de sua comunidade, mediante troca com seus grupos. No dinamismo da experimentação, da fluência criativa propiciada pela liberdade e segurança, adolescentes e jovens podem transitar livremente por todas emergências internas, integrando imaginação, percepção, emoção, intuição, memória e raciocínio.

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