Novos Tempos

O machismo e outras dificuldades enfrentadas na convivência homem e mulher serão temas do espetáculo Novos Tempos , que trará a trajetória de um casal e as mudanças geradas quando a esposa decide virar a mesa, procurar trabalho e cuidar de seu estilo pessoal.

Com muito humor, apoiado também na figura de uma sogra intrometida, a peça recebeu vários prêmios e foi sucesso de público na Argentina, sendo montada pela primeira vez no Brasil.

Algumas apresentações de Novos Tempos contarão com a presença de mulheres que reforçam uma forte imagem feminina e outros profissionais ligados as áreas de sexologia, psiquiatria, psicologia, sociologia, para a promoção de debates diretos com o público. É a oportunidade de discussão, a partir de uma obra artística, de comportamentos tão ainda presentes no cotidiano brasileiro.

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Novos Tempos visa impulsionar uma discussão sobre a questão do machismo e da inserção da mulher, instalando a condição desta na sociedade, os mandados dos pais, a mulher-esposa que quer estudar e trabalhar fora e o próprio ‘machismo' feminino como elemento limitador do crescimento.

A peça está inspirada na obra “Segundo Tiempo”, de Ricardo Halac, dramaturgo argentino. O texto foi premiado como a melhor Comédia pela Sociedade Geral Autores da Argentina, em 1976.

Trata-se de uma comédia dramática sobre a vida de um casal que se ama e é feliz, mas tem uma rotina de vida imposta pelos condicionamentos sociais e familiares. Até que um dia a mulher começa a desejar estudo e trabalho fora do lar, produto de sua necessidade de realização como indivíduo.

A mulher representa um importante segmento da população, presente em todas as áreas da cultura. No entanto, mesmo com tanta representatividade, ainda sofre discriminação, abusos físicos e psicológicos e, em alguns países, total supressão de direitos básicos como educação e saúde. Os aspectos da cultura ditos como femininos fiam em segundo plano nas ciências e no mercado de trabalho.

Há necessidade de ressignificar muito o que é dito sobre o gênero feminino. Aspectos que já pareciam ultrapassados nos discursos sobre a mulher ressurgem como colchas de retalhos esfarrapadas e com pedaços faltantes. Temas como maternidade, esquemas de trabalho não enquadrados em suas realidades e a necessidade de clamar por um novo paradigma de inserção no cenário brasileiro são aqui colocados em destaque.

Nas artes, a maioria das produções, principalmente aquelas de massa, como novelas de televisão, não possibilitam às mulheres uma reflexão crítica a respeito de si mesmas e de seu universo. Resumem-se a perpetuar papéis que, mesmo com todas as lutas femininas, ainda vêm do século passado e continuam se manifestando em nossa cultura, o tripé: mãe – esposa – objeto sexual.

Este espetáculo pretende fazer parte do novo contingente de informação para a mulher, onde se possa enxergá-la plenamente, refletida em toda a sua multiplicidade. Também a mensagem é para o homem que tem que enxergar a mulher como um ser pleno de capacidades. Quanto melhor é uma relação baseada no respeito e liberdade individuais, quanto melhor uma esposa evoluída e desenvolvida em plenitude como pessoa para um relacionamento sadio.

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