A Serpente

Quem nunca ouviu falar de Nelson Rodrigues, um dos ícones da dramaturgia nacional? Com textos marcantes, inteligentes e que retratam comportamentos pelo “buraco da fechadura”, Nelson é sempre uma boa oportunidade de pesquisa e mergulho no trabalho de interpretação.

Assim, quatro jovens profissionais, formados pela Escola de Teatro da UFBA, e mais um ator convidado, encabeçam um elenco que tem por objetivo completar suas expectativas de expressão e estudo junto ao trabalho do ator, realizando um dos espetáculos mais intrigantes deste grande dramaturgo: A Serpente.

O grupo visa atingir o público maior de 18 anos e seus integrantes têm as mais variadas passagens pelos palcos, desde Beckett até Jorge Amado. O apoio à execução do projeto é feito por nomes como o cenógrafo Fritz Gutmann e o figurinista Maurício Martins, com carreiras sólidas nas artes cênicas baianas.

Saiba mais

O projeto A Serpente tem como base um espetáculo que visa valorizar e apoiar a criação de um grupo de pesquisa da linguagem e estética da dramaturgia de Nelson Rodrigues. O elenco está constituído por quatro atores que se formaram no segundo semestre de 2003, pela Escola de Teatro da UFBA, segunda maior instituição de artes cênicas do país.

Apresentar A Serpente de Nelson Rodrigues e fazer dele um espetáculo de qualidade, desenvolvendo o talento dos atores do grupo, é o compromisso deste projeto. Inicialmente serão 30 espetáculos, reunindo um grupo de técnicos de reconhecida experiência profissional, nas suas respectivas áreas de atuação, o que estimula e dá maior garantia ao seu êxito.

A meta é expressar um trabalho que mostre toda a riqueza da atividade teatral, assumindo o compromisso de dedicação da equipe ao projeto, aperfeiçoando e transmitindo as mais diversas e conscientes experiências profissionais na área. O público médio esperado nesta primeira fase é de quase cinco mil pessoas, com apresentações abertas à comunidade artística universitária de Salvador.

No âmbito social, o texto da obra escolhida aborda o tema da inserção da mulher, principalmente na família, levando à reflexão sobre os tabus a respeito do sexo, denunciando relações de hipocrisia e falsidade que estão por trás das belezas da sociedade.

A repressão, a deformação das coisas por uma gama de costumes morais, religiosos, fazem com que seus personagens- tipos criados a partir da realidade das grandes cidades - se tornem alienados ou conturbados a ponto de transformar seus desejos em obsessões que levam a suicídios, adultérios, incestos, e, é claro, à neurose e à loucura. É o caos agindo com os conflitos psicológicos do homem moderno, vítima de suas próprias ações, leis e preconceitos morais, dando à platéia a verdadeira e honesta dimensão da mente humana.

© Copyright 2004, Vánacontramão.